Nesta entrevista, Mariana Vitti Rodrigues nos conta sobre sua pesquisa envolvendo as relações entre filosofia e conhecimento científico, mais especificamente sobre as dinâmicas da descoberta científica. Também fala sobre o impacto do “Big Data” (os processos massivos de produção de informação) nesse processo. Por fim, ela apresenta as ideias de um texto recente que publicou (link abaixo), em que aborda a medicação da hidroxicloroquina, relacionando-a à pílula da fosfoetalonamina (que se acreditou poder ser a cura do câncer, num passado recente). Ela explica como funciona o procedimento “duplo cego” de testes, próprio à construção científica atual.
Mariana Vitti Rodrigues possui graduação em Licenciatura Plena (2010) e em Bacharelado (2012) em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, mestrado em Filosofia pela mesma universidade (2014) e doutorado em Filosofia da ciência pela Universidade de Copenhagen (2019). Tem experiência nas áreas de Filosofia da Ciência, Semiótica, Epistemologia e Filosofia da Informação. Interesse de pesquisa centrado nos conceitos de abdução, informação, Big Data e estilos de raciocínio; bem como em filosofia das ciências naturais e filosofia da biotecnologia.
O que podem ter em comum uma autora contemporânea como Virgina Woolf e o pensamento poético, mitológico e filosófico da Antiguidade? Esse e outros assuntos relacionados à construção de uma “comunidade de pensamento” são os principais temas debatidos por Julia Myara e Viviana Ribeiro, co-criadoras do “Ipia: comunidade de pensamento” (link para o canal abaixo). Nesta prazerosa conversa, elas contaram como foi que surgiu esse projeto e quais são suas principais atuações, apresentando um pouco do conteúdo que também disponibilizam em seu canal no YouTube. Num outro momento da entrevista, cada uma das duas expôs um pouco melhor suas próprias pesquisas.
Viviana Ribeiro abordou temas relacionados à obra de Virginia Woolf, relacionando sua criação literária com questões políticas e filosóficas que ainda são pertinentes em muitos aspectos para o pensamento contemporâneo.
Julia Myara abordou as relações entre poesia, mitologia, filosofia e política no mundo antigo, especialmente na Grécia, buscando compreender algumas das consequências de tais relações para a compreensão da contemporaneidade.
Algumas das referências citadas:
Virginia Woolf: Um teto todo seu, Os três Guinéus Nadia Fusini: Sou dona da minha alma (sobre Virginia Woolf)
Górgias: Elogio de Helena Platão: A República
Marcel Detienne: Os mestres da verdade na Grécia Arcaica
Julia Myara é professora e co-fundadora do IPIA – Comunidade de Pensamento. Também é doutoranda em História da Filosofia Antiga na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), mestra em Filosofia Antiga na PUC-RIO, graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e professora da Pós-graduação Lato sensu em Filosofia Antiga (CCE, PUC-RIO). Atualmente realiza estudos na área de mitologia com ênfase nas figuras femininas tais como Helena, Medeia, Antígona, etc. Realiza pesquisa em Filosofia Antiga, com foco no pensamento de Platão e Górgias. Desenvolve, também, pesquisa na área de mitologia grega, estudo de gênero na antiguidade, religiões, narrativas míticas comparadas e retórica greco-romana.
Viviana Ribeiro é doutoranda pelo Programa de Pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO), desenvolvendo pesquisa sob o título “Da incontornável questão das mulheres e dos negros para refundação do pensamento e práticas democráticas na contemporaneidade”. Mestra em História da Filosofia pelo Programa de Pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal Fluminense PFI/UFF (2017), dissertação com o título “A potência política da literatura em Gilles Deleuze”. Graduada em Direito pelo IBMEC-RJ (2007). Membro do GT-Deleuze ANPOF, desde 2014. Integrante do Ciclo de Leitura Spinoza e Direito, coordenado pelo professor Mauricio de Albuquerque Rocha, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO), desde 2010. Desenvolve pesquisa na área de filosofia política, com ênfase no pensamento de Bento de Espinosa, Gilles Deleuze e Felix Guattari. Realiza, também, pesquisa relativa à História do Feminismo, abordando o aspecto da ação política e do pensamento. Em outubro de 2017 fundou um Instituto que se chama IPIA Comunidade de Pensamento. Este Instituto busca promover uma formação humanista através do encontro e dos estudos das humanidades (filosofia, história, geografia, arte, literatura, música, teatro, etc), compreendendo por formação humanista aquela que nos fornece os instrumentos para melhor atuação social e coletiva e na prática da democracia.
Nesta fala sobre as relações entre vida vida e política no Brasil, André Duarte aborda algumas questões referentes ao fazer filosófico, relacionando o contexto político brasileiro com o filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, pensando temas como a resistência e o advento do novo coronavírus.
André Duarte é Professor de Filosofia da UFPR. Possui um leque muito amplo de autores e temáticas com os quais trabalha, entre os quais se podem citar: Hannah Arendt, Kant, Heidegger, Michel Foucault e Judith Butler. Uma de suas preocupações recentes, e que é tema desta “live”, é pensar em que sentido a filosofia pode contribuir para uma reflexão sobre o Brasil atual, mais especificamente sobre as relações entre vida e política.
Montaigne é um autor do Renascimento. Sua obra possui diversos aspectos pelos quais se pode compreendê-la melhor. Um deles é a semelhança com a pintura renascentista que se desenvolveu no mesmo período em que ela foi escrita. Tal aspecto é explorado na tese de Ana Carolina Mondini, que também aborda a relação entre o ceticismo de Montaigne e o ceticismo antigo, além de temas como o da “amizade” e o da “humanidade” que estão presentes na obra desse autor. Além disso, a entrevistada desenvolve atualmente o projeto “Galeria Virtual” (link abaixo), no qual expõe virtualmente a obra de artistas, acrescentando seus comentários muito sensíveis.
Ana Carolina Mondini é Doutora em Filosofia (na área de História da Filosofia, Estética e Renascimento), sob orientação de Vinicius Berlendis de Figueiredo, com período sanduíche no exterior na EHESS/Paris (2017). Trabalhou como Professora de Estética e Filosofia Geral na Faculdade Dr. Leocádio José Correia (FALEC, 2012-13) e como Tutora no Curso Especialização de Ensino de Filosofia no Ensino Médio (Educação a Distância/ UAB), na Universidade Federal do Paraná (2014-15 e 2018). Possui mestrado em Filosofia (na área de Filosofia Moral), realizado pela Universidade Federal do Paraná (2011). E, tem graduação na área de Artes Plásticas (Pintura), pela Escola de Música e Belas Artes (2013), e em Filosofia (História da Filosofia), pela Universidade Federal do Paraná (2007).
Gabriel Rath Kolyniak (São Paulo, 1985) é escritor e editor. Formado em Letras (Português) pela PUC-SP, é responsável pela Editora Córrego e pela Biblioteca Roberto Piva. Lançou os livros de poemas Partilha (Nankin, 2008), Da casa à hospedaria (2011) e Discórdia (2013).
Atualmente, o tema da “decolonialidade” está muito em voga, felizmente. Nessa clave, muitas são as tradições que passam a ser pesquisadas enquanto pensamento filosófico. Fala-se numa filosofia oriental, numa filosofia africana, numa filosofia indígena, numa filosofia latino-americana etc. Este é um dos temas de pesquisa de Francisco José da Silva, que também possui trabalhos acadêmicos envolvendo filósofos ocidentais, como os do idealismo alemão (Hegel e Schleiermacher, sobretudo). Entre os diversos autores mobilizados nesta entrevista, encontram-se: Raúl Fornet Betancourt, Franz Wimmer, Edward Said, Heinz Kimmerle, Enrique Dussel, Raimon Panikkar, entre outros.
Francisco José da Silva é Doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC, 2020). Atualmente é Pesquisador e Professor Adjunto da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e coordenador de subprojeto Pibid Filosofia da Universidade Federal do Cariri. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: Filosofia Intercultural (Latinoamericana, Africana e Oriental) e Idealismo Alemão (Hegel), Dialética e Hermenêutica (Schleiermacher) e Filosofia da Religião.
Segue-se um debate atualmente em que várias correntes diversas de pensamento parecem se aproximar: o realismo especulativo, a virada ontológica em antropologia, a virada metafísica promovida pela filosofia analítica, além das neurociências e demais ciências empíricas que pensam a relação entre a cognição humana e o aprendizado das máquinas (“machine learning”). Em todos esses casos, assiste-se a uma reabilitação da especulação metafísica sobre a natureza. Qual será o lugar de um filósofo como Jacques Derrida em meio a tudo isso? Tal é uma das questões que o filósofo Moysés Pinto Neto tem se colocado. Além desse tema, também discutimos a questão da “intrusão” do outro no organismo e nas sociedades humanas, como é o caso do coronavírus, e da experiência do ensino à distância e das suas implicações para o ensino de filosofia.
Moysés Pinto Neto é Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do RS (2010-2013) com período-sanduíche no Centre for Research in Modern European Philosophy (Kingston – UK) e Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). É também Mestre em Ciências Criminais (2006-2007) e Especialista em Ciências Penais (2005) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e possui graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998-2003), além de atuar como professor no cursos de graduação de Direito na ULBRA e de diversas especializações em direitos humanos e violência. Pesquisa nas áreas de filosofia e política especulativa, transdisciplinaridade e transformações nas humanidades, movimentos sociais e o pensamento de Jacques Derrida.
Nesta didática exposição, Monica Aiub esclarece alguns pontos a respeito da relação entre mente e corpo, tal como compreendida a partir das neurociências numa perspectiva filosófica; aborda temas referentes à amplitude da filosofia no Brasil, em suas diversas especificidades; trata de questões relacionadas à sua prática clínica; e encerra fazendo um caloroso convite a que todo(a)s para que conheçam o projeto que engloba pessoas de fora da academia às reflexões filosóficas e à filosofia como clínica.
Monica Aiub possui graduação em Filosofia pela Universidade Católica de Santos (1989), graduação em Música pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1996), Pós-Graduação em Educação Brasileira pela UNISANTOS (1992), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (2006), doutorado em Filosofia pela PUC-SP (2015). Atualmente é orientadora filosófica, professora e pesquisadora no Espaço Monica Aiub – Filosofia, Arte e Cultura, em São Paulo. É editora, atuando na Editora FiloCzar. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia da Mente e da Informação tuando principalmente nos seguintes temas: filosofia, filosofia da mente e da informação, pragmatismo, orientação filosófica, lógica, teoria do conhecimento, filosofia da linguagem, filosofia da medicina e filosofia da neurociência.
Alícia Miranda é acadêmica do curso de licenciatura em História pela UNIFAP (Universidade Federal do Amapá), militante do Coletivo Não Vão Nos Calar (UNIFAP) e colaboradora da Frente de Apoio Emergencial Às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica-AP.